FRENTE POPULAR AMEAÇA LEVAR AO TRIBUNAL IMAGENS E “OUTRAS PROVAS” DE PESSOAS SENDO TORTURADAS NAS CELAS
O coordenador da Frente Popular, Armando Lona, reafirma que durante os dias em que os ativistas estiveram presos, nas celas da segunda esquadra, foram torturados e colocados em celas que estavam em péssimas condições e sem ventilação, e garante que as provas serão levadas ao tribunal.
Armando Lonas falava, esta tarde em conferência de imprensa em conjunto com a Liga Guineense dos Direitos Humanos, para responder às acusações que a frente foi alvo por parte do secretário de Estado da Ordem Pública que afirma que em nenhum momento os manifestantes foram torturados e maltratados e caso a situação for comprovada irá colocar o seu lugar à disposição.
“Vamos levar para prisão as nossas provas sobre crimes cometidos no dia 18, que é mais um dia negro na história da Guiné-Bissau, foi cometido por um grupo de pessoas porque existem pessoas patriotas ´no ministério do Interior` que conhecem os seus trabalhos e não vamos confundir as pessoas. Mas, existe grupo identificado que está ao serviço de um grupinho e são estas pessoas que torturavam as pessoas e por isso estavam a fazer a filmagens”, explica o coordenador da Frente Popular.
“As imagens são conhecidas de pessoas sendo torturadas e as outras provas, vamos levá-las ao tribunal”, adverte.
Armando Lona diz ainda que o foco da Frente Popular vai continuar a ser pelo bem do povo guineense e vão continuar a reclamar a situação da subida de preço de produtos da primeira necessidade.
Entretanto, na mesma coletiva à imprensa, o presidente da Liga, Bubacar Turé, refuta as acusações feitas pelo secretário de Estado da Ordem pública de que a liga estaria a fazer política, sustentando que não fazem a política partidária.
“Nós fazemos a política de promoção e proteção dos direitos humanos e este é o nosso mandato”, afirma.
Bubacar Turé acusa o secretário de Estado de atacar a liberdade das pessoas, lembrando que no passado ele havia várias vezes denunciado que a democracia estava a ser posta em causa.
“O mesmo José Carlos Macedo Monteiro que hoje quer colocar em causa as nossas intervenções, é o mesmo que no passado fez a mesma denúncia de que o Estado de direito e a democracia estavam a ser postas em causa e que a Guiné-Bissau está a ser conduzida por um regime ditatorial. Quantas vezes que ele telefonou o presidente da Liga e outros dirigentes pedindo socorro porque a sua vida e a integridade física estão a ser postas em causa, e hoje é a mesma pessoas que decidiu ser carrasco e assumir o lado negro deste regime e de ser ele, sem qualquer hesitação a assumir cometer atrocidades e violações graves contra os direitos humanos”, acusa.
O presidente da Liga diz também que tencionam entrar com uma queixa tanto no tribunal da Guiné-Bissau assim como no estrangeiro para que os violadores dos direitos humanos sejam responsabilizados.
“Vamos enfrentá-lo e vamos alertá-lo de que estes casos horríveis que aqui escutamos, torturas de que ele é o responsável número um não vai ficar impune, vamos apresentar queixas contra José Carlos Macedo Monteiro aqui na Guiné-Bissau e no estrangeiro, na Espanha e na Alemanha, e sobretudo nestes dois países que têm a jurisdição universal de que cedo ou tarde, à semelhança do que passou com o ministro de interior gambiano que era carrasco que assumiu o papel que José Carlos está a assumir neste regime de assassinar, prisão arbitrária e de espancar, hoje está a cumprir vinte anos de prisão”, ameaça.
O presidente da Liga diz conhecer os riscos do seu trabalho, mas promete que não vai recuar da sua luta. Portanto, diz que desde que o atual secretário de Estado da Ordem pública foi nomeado já cometeu cerca de 8 atos de violações dos direitos humanos e ainda de desobediência judicial.
Por: Turé da Silva
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