"ESTE LIVRO É UMA ARMA DE LUTA˝, diz escritor guineense Sana Canté
O jurista e escritor guineense, Sana Canté, espera que o seu livro "Quando desistir não é uma opção" seja uma arma para aclamar a participação e espírito de revolta de todos os guineenses para resgatar a Guiné-Bissau.
Sana Canté falava, esta quinta-feira (20), em entrevista à Rádio Sol Mansi, depois do lançamento do seu livro, no passado dia 22 de fevereiro, em Lisboa, e no mesmo dia todas as edições foram esgotadas.
O livro intitulado "Quando desistir não é uma opção" relata também a história de um cidadão espancado, torturado e que, apesar de tudo, continua a lutar pela liberdade e pelo resgate dos valores da democracia.
Para Sana Canté esta é a única "arma" encontrada é fazer o uso da sua capacidade intelectual e consequência disso foi traduzida na presente obra literária antropológica, histórica e científica que denuncia o regime que sequestrou o país até este momento.
"Este livro para nós é uma arma de luta, de confrontar o regime e uma arma que aclamamos a participação do espírito de revolta de todos os guineenses para podermos resgatar o nosso país", enfatiza.
Sana Canta, jovem jurista e escritor, espera que a partir do título do livro possa inspirar todas as pessoas que desistir não é uma opção.
O escritor guineense, que atualmente vive na diáspora, espera para breve vir à sua terra natal proceder ao lançamento oficial do seu livro.
"O principal fator que nos retém até aqui tem a ver com a nossa segurança e com o nosso estado de saúde. Mas, essencialmente do estado de saúde que estou ainda a recuperar do sequestro que fui vítima por parte de Umaro Sissoco Embaló e alguns o chamam de ex-presidente, mas na nossa perspetiva nunca foi presidente da República. Ele deu golpe de Estado no dia 27 de fevereiro de 2020 e tão só é neste quadro que continua no poder até a data presente".
Nesta quarta-feira completou três anos do espancamento de Sana Canté aqui na Guiné-Bissau que o deixou à beira da morte. Passados estes anos, Sana diz que o seu estado de espírito é motivador e espera que o dos envolvidos no seu espancamento seja agoniante.
"Passados três anos de tentativa de homicídio que fui vítima por parte de Umaro Sissoco Embaló, o meu estado de espírito é animador, porque acredito que tenho mais uma vez oportunidade de poder participar não só na luta que estamos ainda a travar para resgatar a Guiné-Bissau, mas também de testemunhar a justiça do meu e de vários casos de crimes que o atual regime cometeu".
Sana Canté não equaciona a possibilidade de desistir da luta pela afirmação da democracia da Guiné-Bissau sustentando que as pessoas devem compreender que a Guiné-Bissau está por cima de todos os valores pessoais que cada um defende.
"É um absurdo equacionar a possibilidade de desistir da luta para resgatar a Guiné-Bissau", garante.
As maiores conquistas do ativista é saber que mesmo depois do seu espancamento a luta ainda continua na Guiné-Bissau com os jovens "determinados" e "consciências claras" com necessidade de defender o país.
"A luta é um processo. Estou profundamente orgulhoso com a nova geração pela a forma como estão engajados na mobilização em todas as oportunidades das redes sociais que dispoem".
Para Canté, a Guiné-Bissau é possível e ela tem bons filhos que podem colocá-la no caminho da verdade.
"Os guineenses têm que acreditar nisto".
O lançamento do livro de Sana Canté aconteceu no passado dia 22 de fevereiro, em Lisboa, e no mesmo dia todo o exemplar foi esgotado.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos Camará
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