DADOS DO PAM REVELAM QUE A SITUAÇÃO NUTRICIONAL NAS CRIANÇAS GUINEENSES É PREOCUPANTE
As regiões de Bafatá [leste] e Quinará [sul] são as zonas mais críticas em termos nutricionais, segundo revelou, esta quarta-feira, o Programa Mundial de Alimentação (PAM) que aponta ainda a situação de crianças menores de dois anos a nível do país como sendo a mais preocupante.
Os dados constam num inquérito sobre a situação da segurança alimentar e nutricional no país realizado de Novembro de 2021 a Maio de 2022, em parceria com o ministério da Agricultura, o Instituto Nacional da Estatística e os parceiros do desenvolvimento do país.
A Assistente da Monitoria do Programa Alimentar Mundial, Isis Semedo, não escondeu a sua preocupação com os dados apresentados, e revelou que em Quinará apenas 1 por cento das mulheres na idade de procriação recebem uma dieta aceitável.
“Em relação às crianças menores de 2 anos, a situação não é das boas sendo que 4 por cento das crianças recebem uma dieta mínima aceitável”, explica.
Isis Semedo avança ainda que nos últimos meses os dados revelam que a situação da segurança nutricional deteriorou-se no país.
Por seu turno, Miguel de Barros representante da Rede para a Segurança e Soberania Alimentar na Guiné-Bissau, disse que a novidade não está nos resultados dos dados mas sim na permanente ausência da capacidade do Estado em garantir a população uma alimentação de qualidade.
“Enquanto o governo não tiver uma perspetiva de mobilize a sociedade e coloque as metas ao ponto do próprio governo dotar-se um orçamento Geral de Estado que não é gasto em termos das despesas da soberania e pelo menos 20 por cento do OGE orientado para o abastecimento alimentar a partir da produção local será uma ilusão falar de fome zero até 2030”, disse Miguel de Barros.
Em representação do ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Júlio Malam Indjai, reconhece que “apesar do grosso número de recursos que o país dispõe” inúmeros inquéritos efetuados pelas organizações que atuam para uma vida saudável da população continuam a indicar a situação precária e que a pobreza é a principal causa da insegurança alimentar no país.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Diana Bacurim
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