“COMO PODEMOS SER O FUTURO DO PAÍS SE NÃO TEMOS ESCOLA E SAÚDE”, questionam as crianças guineenses

Celebra-se, hoje, o primeiro (1) de Junho, dia mundial das crianças. Na Guiné-Bissau, a data é celebrada no momento em que a maioria das crianças guineenses é negada os direitos à escola e à saúde, uma boa parte nunca comemorou esta data.

Este dia visa chamar a atenção do mundo em relação aos direitos das crianças que abrangem a escola, saúde e a educação de qualidade, a protecção e a segurança.

Sobre a comemoração desta data, a Rádio Sol Mansi (RSM) falou com algumas crianças guineenses e alguns estudantes das escolas públicas. Estas crianças exigem que os governantes respeitem os seus direitos fundamentais.

“Estamos a viver uma situação muito lamentável. Há seis meses não podemos ter acesso a saúde e à educação. Disseram que somos o futuro do país, agora queremos saber como vamos ser tudo isso se estamos sem estudar mas os filhos dos nossos governantes vão à escola privada. Estamos a comemorar o nosso dia e estamos a ser ignorados pelos governantes. Queremos direitos iguais com as crianças de todo o mundo”, exigem.

Nas ruas de todo o país as crianças são colocadas nas ruas pedindo esmolas, vendendo produtos proibidos pelos menores e a família justifica o facto com a carência de vida. Desde os 6 anos, as crianças são colocadas para ajudar no sustento familiar.

A RSM também falou com algumas destas crianças pedintes de esmolas que disseram que não conhecem os seus direitos, e nunca comemoram o primeiro de Junho. Na maior inocência, estes meninos dizem que são negados os direitos à saúde e à escola.

“Não conheço os meus direitos e não vou à escola. Pedir a esmola é o meu trabalho. Quando fico doente fico em casa e só bebo os remédios tradicionais. Juro que desde que nasci só ouço as pessoas a falarem nesta data e vejo muitas crianças vestidas e bonitas indo às festas, mas eu nunca fui a nenhuma festa. Só fico do lado e fora vendo outras crianças a brincarem e a serem levadas para passear”, disseram as 4 crianças pedintes entrevistas pela RSM.

Para a protecção das crianças, o Estado deve impulsionar políticas que garantam que esta classe seja dada o tratamento adequado. Por isso foram assinados vários acordos e que alguns nem chegaram a ser colocados em prática.

No entanto, também ouvido pela RSM, o presidente do Parlamento Nacional Infantil, Sebastião Tamba Júnior, lamentar a morosidade do governo em negociar com a UNTG para juntos encontrarem a solução sobre as constantes paralisações na função pública, que afecta de que maneira sector de saúde e educação, e colocam as crianças guineenses em casa.

A mesma preocupação mereceu a reacção do administrador de Associação dos Amigos da Crianças (AMIC). Fernando Cá conta à RSM que o governo deve dignar em respeitar a convenção dos direitos das crianças.

Ainda Fernando Cá disse que nos últimos tempos está a aumentar no país a prática de violação sexual e a Mutilação Genital Feminina contra as crianças.

“Agora os pais é que violam sexualmente as suas filhas”, denuncia

Entretanto, a ministra da mulher, família e coesão social, Maria Conceição Évora, admite que a situação das crianças guineenses não é do desejado.

Em nota o ministério disse que o dia da criança reveste-se de importância particular e constitui igualmente uma oportunidade para apelar à consciência e à responsabilidade da sociedade em geral, do Governo, das Organizações da Sociedade Civil e Organizações Internacionais sedeadas no país sobre a imperativa necessidade de renovar seu engajamento e compromisso para melhorar a situação das crianças em geral, e de forma particular das crianças marginalizadas e vulneráveis.

O 1º de Junho foi instituído em 1950 por iniciativa das Nações Unidades com objectivo de chamar atenção sobre os problemas que as crianças enfrentam.

Nesta data, os Estados-Membros reconheceram que todas as crianças têm o direito ao afecto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados, médicos, educação gratuita, protecção contra as formas de exploração e crescer num clima de paz e fraternidade.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Turé da Silva / Diana Vaz

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