COLIGAÇÃO EXIGE INTERVENÇÃO DA COMUNIDADE INTERNACIONAL SOBRE CRISE NA GUINÉ-BISSAU
A coligação PAI -Terra Ranka, vencedora das últimas eleições legislativas de 4 de junho, exorta a comunidade internacional a intervir junto da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) para o cumprimento imediato e incondicional das resoluções da última cimeira dos líderes da sub-região.
“Exortamos a Comunidade Internacional, a intervir junto da CEDEAO, no sentido do cumprimento imediato e incondicional das resoluções da sua 64ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, com vista a restauração de todas as instituições democráticas da República”, disse .
A advertência é deixada esta quarta-feira, num comunicado à imprensa, lido pelo seu porta-voz, Muniro Conté, na sede nacional do Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), na qual se fez acompanhar dos dirigentes das formações políticas integrantes da coligação.
Em relação a marcha interrompida com a intervenção policial na segunda-feira, com o uso das granadas de gás lacrimogénio, a coligação através do seu porta-voz, Muniro Conté, diz que enveredaram por aquela via pela inércia da Comunidade Internacional em fazer cumprir ou traduzir fielmente a resolução da 64ª cimeira dos chefes de Estado e do Governo da CEDEAO, que recomendou expressamente a reabertura da ANP (Assembleia Nacional Popular) e reposição do Governo da XIª legislatura, a coligação PAI Terra-Ranka decidiu passar para a fase de ações políticas internas, projetando manifestações de protesto contra o regime instalado a revelia da Constituição e das Leis da República.
“A marcha foi, no entanto, brutalmente reprimida pelas forças policiais, com espancamento e detenção de cidadãos e uso indiscriminado de granadas de gás lacrimogénio e que se estendeu até a sede das Nações Unidas”, lamentou.
Segundo o porta-voz “três pessoas foram presas no decurso da marcha de segunda-feira”.
No mesmo comunicado, a coligação acusa o Chefe de Estado de se associar à estratégia dos partidos dos seus aliados a dissolver o parlamento e consequentemente derrubar o governo resultante dos resultados eleitorais de junho passado.
“o presidente da República, associando-se à estratégia dos partidos dos seus aliados, deu desde logo sinais de intenção de dissolver o Parlamento e subsequentemente derrubar o Governo”, apontou.
Nesta deriva “anticonstitucional, o presidente da República e os seus apoiantes moveram uma campanha nociva e violenta, contra o funcionamento das instituições legítimas e democráticas, nomeadamente, a ANP, o Governo e o Supremo Tribunal de Justiça, facto que viria a culminar com a decisão de dissolução e bloqueio do Parlamento por parte do chefe de Estado”.
Segundo o que a RSM constatou desde o anúncio do decreto que dissolveu o parlamento, a sede ficou bloqueada e cercada pelas forças policiais, impedindo os funcionários de ter acesso aos seus gabinetes.
Por: Braima Sigá
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