CNJ QUER QUE JOVENS GUINEENSES LUTEM PELO DIREITO DE PODER ESTAR NUM PAÍS LIVRE
O Conselho Nacional de Juventude (CNJ) diz que é chegada a hora de “toda” a juventude guineense fazer uma intervenção direta, para repor o direito de todos viverem numa Nação livre, e que esta intervenção deve ser agora.
O apelo do CNJ foi ouvido hoje, em conferência de imprensa quando reagia às prisões e detenções arbitrárias de manifestantes do dia 18 de maio, que reclamavam entre outros, as melhorias das condições de vida, o respeito pelas leis do país, e ainda reivindicam a subida de preços dos produtos da primeira necessidade no país.
Joelson Tavares, vice-presidente do CNJ, disse que estas intervenções não devem passar pelos assuntos políticos, lembrando que toda a gente deve manifestar-se livremente, desde que não colocam em causa a liberdade de outras pessoas.
“A intervenção dos jovens não deve passar por assuntos políticos, independentemente dos partidos que pertencemos, das funções que exercemos e das organizações que pertencemos, todos os jovens guineenses devem se levantar na luta que para repor aquilo que é o nosso direito de poder estar num país livre, onde, quando as coisas não andam bem, podemos levantar e exigir algo”, disse Joelson sustentando que não estão a apelar à intervenção juvenil ao nível do vandalismo.
“Esta intervenção agora ultrapassa todas as esferas da particularidade, agora é o conjunto da juventude que tem que ir à vante”, reforça.
O CNJ exige ainda a libertação dos manifestantes, e o respeito pelas liberdades consagradas na Constituição da República.
Portanto, Joelson Tavares disse que a sua organização assiste com sentido de revolta que registram a atuação da polícia “comandada de autoridades que detêm o poder público e que violentamente colocaram os cidadãos em pleno exercício dos seus direitos de manifestação cujo direito de exercício na nossa lei magna não carece de nenhuma autorização para a sua realização, mas sim é um direito espontâneo que assiste cada cidadão”.
“Conseguiram prender e espancar mais de 90 manifestantes, na maioria jovens, que acreditaram na promessa da democracia e na liberdade de expressão”, denuncia.
Na mesma coletiva à imprensa, o presidente da CNJ, Vladimir Cuba, diz que é preciso pôr um fim ao sentimento de medo, que faz com que as pessoas não se sintam seguras em levantar vozes contra os males no país.
“ (…) Outras pessoas ficaram em silêncio porque têm medo de retaliação quando levantarem as vozes sobre o mal e com medo de que podem ser perseguidos ou assassinados, então precisamos pôr fim a este cenário”, reafirma.
A CNJ diz ainda que está a mobilizar jovens para que possam ter uma voz ativa contra comportamentos que colocam em causa os direitos fundamentais.
O CNJ denuncia que, apesar do ministério do Interior proceder à libertação parcial dos manifestantes, ainda continuam presos cerca de uma dezena de pessoas que estão a ser submetidas a situações desumanas e, no entanto, denuncia ainda que alguns já correm risco de vida, devido aos seus estados de saúde. Segundo a mesma organização, uma grávida que se encontrava entre os detidos, também foi espancada pelas forças de segurança.
A organização diz que está a acompanhar as atuações da classe política guineense e inclusive do próprio presidente da República que disse publicamente que não irá tolerar insultos, mas que irá aceitar críticas e “queremos dizer que não é o que estamos a assistir e ele está a ser contraditório, queremos fazer apelo para que retire essas pessoas detidas em situações desumanas”.
A juventude espera que a sua voz seja ouvida e que os presos sejam libertados ainda hoje.
Por: Turé da Silva
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