CEDEAO OBSERVA COM PREOCUPAÇÃO “INTERFERÊNCIA” DAS FORÇAS DE DEFESA E SEGURANÇA NA POLÍTICA

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) solicita que as acções tomadas, sinónimo de ilegalidade, sejam interrompidas sem demora e, no entanto, observa “com grande preocupação” a “interferência” das Forças de Defesa e Segurança na esfera política.

No comunicado da comissão divulgado, ontem (01 de Março), a CEDEAO disse estar preocupada com os riscos de graves conflitos internos relacionados à deterioração prolongada da situação política.

No documento, a Comissão da CEDEAO observa “com grande preocupação” a “interferência” das Forças de Defesa e Segurança na esfera política e exorta a classe castrense a ficar afastada do campo político e a observar uma posição de absoluta neutralidade em relação a todos os actores políticos.

No entanto, alerta que os últimos acontecimentos políticos no país, minam os esforços empreendidos com vistas a uma saída feliz da crise pós-eleitoral que o país está enfrentando.

“A Comissão, portanto, recorda os termos de seus comunicados de imprensa anteriores publicados em 21 e 28 de Fevereiro de 2020 e salienta firmemente que o CEDEÃO não pode reconhecer organismos criados e instalados fora dos quadros constitucionais e legais regularmente previstos pela legislação da Guiné-Bissau”, lê-se no documento.

Segundo a organização sub-regional, estas acções comprometem a ordem constitucional estabelecida e expõem todos os seus autores a sanções.

“A Comissão da CEDEAO reitera a necessidade absoluta de se ater ao atual processo eleitoral, que deve terminar com a regulamentação do litígio eleitoral atual. Para esse fim, a Comissão tomará iniciativas para resolver esse impasse pós-eleitoral”, consta no mesmo documento.

Entretanto, a CEDEAO promete trabalhar em sinergia com a União Africana, as Nações Unidas, a CPLP e a UEMOA, para evitar apoiar processos não legais que comprometam a estabilidade e paz no país e na região.

CIPRIANO CASSAMÁ DEMITE DO CARGO

Na semana passada, Cipriano presidente da Assembleia Nacional Popular (parlamento) foi empossado ao cargo do Presidente da República (PR) interino sob pretexto de que José Mário Vaz abdicou das suas funções como presidente cessante. Dois dias depois, Cassamá veio ao público demitir-se das suas funções justificando ser alvo de ameaça de morte por pessoas desconhecidas envolvendo até a sua família.

Cipriano Cassamá disse que a sua renúncia foi forçada.

“ (…) Depois dos últimos actos tem havido fortes ameaças à integridade física ao corpo de segurança que me foi afecto pelos homens fortemente armados e que, por conseguinte, também põe em perigo a minha segurança e a da minha família”

Segundo Cipriano disse ter demitido em salvaguarda dos interesses maiores e voltar em exercício pleno do cargo do presidente do parlamento e, segundo ele, a Guiné-Bissau não pode estar em confrontes entre as forças vivas e as forças militares.

“Para salvar os guineenses das perturbações evidentes que possam advir, decidi assumir esta responsabilidade para a consolidação da paz e da estabilidade sempre almejados pelo povo guineense. O povo sofreu e continua a sofrer e não podemos admitir isso porque os interesses do povo estão acima dos meus, razão pela qual assumo esta postura”.

Os ministérios públicos, o palácio do governo e o palácio de justiça não funcionam e as forças de segurança e de defesa estão a assegurar o local.

Na decorrência do facto, o ministério da saúde pública disse que os trabalhos de prevenção do novo coronavírus foram suspensos.

Entretanto, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) pediu neutralidade às forças armadas e apelou à serenidade dos atores políticos na Guiné-Bissau para evitar “situações que possam levar a mais instabilidade política e violência”.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos

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