“CEDEAO NÃO CONSEGUIU ATINGIR O PROPÓSITO QUE NORTEIA A SUA CRIAÇÃO”, disse o Politologo
O Politólogo e comentador permanente da Rádio Sol Mansi para os assuntos políticos, Rui Jorge Semedo, afirma que, passados 50 anos da criação, os Estados-membros a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) continuam "amarrados" nos comportamentos autoritários.
Numa análise, esta quarta-feira, 28 de maio, sobre as comemorações dos 50 anos da criação do bloco comunitário, CEDEAO, criado em 28 de maio de 1975 em lagos, Nigéria, Rui Jorge Semedo destaca que até a esta data, alguns países afetos a organização continuam a ser governados pela ditadura militar.
“Depois dos 50 anos, a CEDEAO não conseguiu atingir o propósito que norteia a sua criação”, destacou o Semedo, afirmando que apesar dos países terem transitado teoricamente do regime único, mas, continuam sob dominação militar.
A celebração dos 50 anos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) acontece numa altura em que a organização tem enfrentado maior crise da sua história, marcada pelos golpes de estados em alguns países, nomeadamente, Burkina Faso, Mali, Níger e Guiné-Conacri.
A recente formação da Aliança dos Estados do Sahel formada por três países nomeadamente, Mali, Burkina Faso e Níger não escapou os olhares do politólogo Rui Jorge Semedo que alerta sobre o risco da CEDEAO desaparecer devido às dificuldades que esta enfrenta em influenciar que os seus estados comprirem com os seus princípios.
“Com o retrocesso político sobretudo no ambito democrático, a CEDEAO acaba enfrentando uma das mais gráves crises na história da sua criação”, frisou Rui Jorge Semedo, sublinhando que a situação de segurança na CEDEAO está marcada por desafios como o terrorismo, a criminalidade organizada, a instabilidade política e as mudanças inconstitucionais de governos.
“A nivel de segurança podemos aqui afirmar que a africa ocidental é um dos continentes mais ameaçados com o fenómino do terrorismo e extremismo”, concluiu.
Recorde-se que a organização tem vindo a implementar medidas para reforçar a segurança regional, incluindo a criação de uma força em estado de alerta e o desenvolvimento de um mecanismo de alerta precoce. No entanto, a situação é afetada por fatores como a saída de alguns países-membros, o que pode comprometer a cooperação regional.
Por: Ussumane Mané
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