BOA GERÊNCIA DAS ÁREAS PROTEGIDAS DA GUINÉ-BISSAU PODE CONTRIBUIR NA CONSERVAÇÃO DE VÁRIAS ESPÉCIES NO MUNDO

O mundo está a celebrar este sábado, 22 de Maio, o dia internacional da biodiversidade, sob o lema “Somos parte da solução para a Natureza”, numa altura em que a Guiné-Bissau continua com dificuldades para gerir os recursos marinhos.

O dia visa alertar a população para a necessidade e importância da conservação da diversidade biológica.

Em mensagem sobre a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “a biodiversidade está diminuindo a uma taxa sem precedentes e alarmante e as pressões estão se intensificando.”

Guterres disse que a pandemia “lembrou da relação íntima entre as pessoas e a natureza” e que existe, agora, uma oportunidade de recuperar melhor.

Ele contou que é preciso proteger a natureza, restaurar ecossistemas e estabelecer um equilíbrio na relação com o planeta.

O secretário-geral afirmou que existem soluções para proteger a diversidade genética do planeta, em terra e no mar, e que todos têm um papel a desempenhar.

Segundo ele, “escolhas de estilo de vida sustentável são a chave.”

Na Guiné-Bissau a efeméride se assinala no período em que há fortes pressões exercidas pelos diferentes sectores de desenvolvimento sobre a biodiversidade, entre os quais a pesca, a agricultura, a exploração florestal, o turismo e a exploração minerais.

Na mensagem alusiva a celebração, o ministro do Ambiente e Biodiversidade, Viriato Cassamá, assegurou que a biodiversidade continua a ser a resposta para vários desafios de desenvolvimento sustentável.

“A biodiversidade continua a ser a resposta para vários desafios de desenvolvimento sustentável, desde soluções baseadas na natureza até ao clima, questões de saúde, segurança alimentar e hídrica, e meios de subsistência sustentáveis”, sustenta o ministro Viriato Cassamá.

No entanto, segundo ainda o governante, a biodiversidade tem diminuído a um ritmo “alarmante sem precedentes” e as pressões têm aumentado de modo incessante.

“A dinâmica do consumo dos recursos naturais é exorbitante nos dias de hoje, desfasando a capacidade de resposta e de reposição da mãe natureza. A biodiversidade é, portanto, a base sobre a qual podemos construir melhor”, explica o ministro da biodiversidade.

A Guiné-Bissau conta com uma superfície de 26% do seu território nacional como áreas protegidas. Essa realidade tem criado, nestes últimos tempos, problemas sociais dentro e na zona tampão destas áreas, com enfoque no acesso aos recursos naturais.

Sobre o facto, o ministro do Ambiente e Biodiversidade anunciou que estão a perspectivar para oportunamente, o lançamento de um Diálogo Nacional sobre o Estado do Ambiente da Guiné-Bissau com enfoque nas áreas protegidas, que visa delinear mecanismos, construir pontes e encontrar caminhos para soluções duradouras, com base nos princípios de salvaguardas ambientais.

“Exorto a todos os actores para se associarem à esta iniciativa em prol de uma vivência harmoniosa e perene entre o Homem e o Ambiente”, apela Cassamá.

No país há três tipos de áreas protegidas, Insular, Costeiras e Terrestres. As áreas protegidas insular (nas ilhas) contempla Parque Nacional de Orango; Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão. Áreas protegidas costeiras contemplam Parque Natural de Tarrafe de Cacheu; Parque Natural das Lagoas de Cufada e Parque Nacional de Cantanhez. As áreas protegidas terrestres são os Parques Nacionais de Boé e Dulombi.  

O que para o director-geral do Instituto da Biodiversidade e Árias Protegidas, Justino Biai, se forem bem geridas, a Guiné-Bissau pode dar a resposta local e contribuir a nível global na conservação de várias espécies.

“Área protegida existente até aqui, que representa 26,3% do território nacional, se forem bem geridas a Guiné-Bissau pode dar a resposta localmente e contribuir globalmente na conservação de várias espécies, mas isso, não significa que não há ainda áreas sensíveis que estão fora do sistema da área protegida, há área sensível fora do sistema da área protegida, por exemplo: nas ilhas de Unhucum e Unhucim Zinho, maioria das tartarugas que são dessovados no ilhéu (djiu) de Poilão cresçam nas ilhas de Unhucum e Unhucim Zinho, mas não é uma área protegida, pode ser uma área santuário um dia, o que significa que há ainda alguns santuários que merecem ter o estatuto da conservação”, explica.

O responsável disse ainda que “não podemos transformar toda a Guiné nas áreas protegidas”.      

Numa das entrevistas concedidas aos jornalistas, o coordenador da casa de reserva biosfera da região de Bolama Bijagós, a única do país, Quintino Tchantchalan, alerta que “o país poderá ter problema pior em relação aos outros países caso não geriram recursos marinhos”.

A reserva biosfera do arquipélago de Bolama Bijagós corresponde a toda região administrativa dos Bijagós com mais de 10 mil quilómetros entre quatro sectores administrativos, a zona dispõe três (3) dos oitos (8) parques nacional da Guiné-Bissau, Parque Nacional de Orango, Parque Nacional Marinha João Vieira Pailão e Área Marinha Protegida Comunitária de Ilha de Urok.

A Guiné-Bissau ratificou a Convenção sobre a Diversidade Biológica, no dia 27 de Outubro de 1995, assumindo assim o compromisso de implementar os preceitos desta Convenção da família do Rio.

O país já realizou alguns marcos importantes na conservação da Diversidade Biológica - os Relatórios Nacionais sobre a Biodiversidade é um deles.

Ainda no cumprimento de suas obrigações para com a Convenção sobre a Diversidade Biológica, a Guiné-Bissau preparou e apresentou Relatórios Nacionais que espelham o estado e o progresso, incluindo medidas/ações para uma implementação eficaz da Convenção, sendo o último - o Sexto Relatório Nacional em 2020.

 

Por: Braima Sigá

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