FOGÕES MELHORADOS TRANSFORMAM VIDAS NAS ALDEIAS: MENOS LENHAS, MAIS TEMPO PARA AS MULHERES, UM FUTURO VERDE

A Organização Não Governamental Palmeirinha, junta às outras organizações na construção de fogões melhorados nas comunidades para reduzir pressões florestais na Guiné-Bissau e para tornarem a tarefa de cozinhar mais acessível e saudável.

Fogões melhorados consomem menos lenha ou carvão do que os tradicionais, o que significa menos tempo gasto a apanhar lenha, menos fumo prejudicial e menos árvores abatidas.

Esta iniciativa é elogiada tanto pelos técnicos florestais como pelas comunidades onde estão a ser implementadas esta técnica de fogão melhorado.

Entre as vozes ouvidas pela rádio Sol Mansi, na secção de Gã-Mamudo, setor de Mansoa, região de Oio, durante uma reportagem, no âmbito do projeto "Terra África", são unânimes em afirmar que agora tornou-se mais fácil as suas atividades, porque o tempo para cozer a comida é mais curto e a quantidade da lenha ou carvão é igualmente mais reduzida em relação a outro fogão tradicional.

A mudança tem sido um alívio bem-vindo para as mulheres da comunidade, que agora têm mais tempo para si mesmas e para as suas famílias.

“Este fogão nos ajudou bastante, porque não utilizamos grande quantidade de lenha para fazer a refeição e nós aqui percorremos vários quilómetros à procura da lenha”, diz Djilam Mané, uma da beneficiária do fogão.

“O fogão dá-nos muita facilidade, conseguimos fazer a refeição muito rápido e com pouca quantidade da lenha”, considera Aua Indjai, dona da casa beneficiária do fogão.

Ainda no âmbito da mesma reportagem, a RSM conversou com o ponto focal da ONG Palmeirinha em Gã-Mamudo e ao mesmo tempo o responsável pela construção do fogão melhorado, Mamadi Mané (Papes), confirma-nos que a pressão florestal reduziu bastante nos últimos tempos, com a utilização do fogão melhorado.

“A pressão florestal diminuiu bastante, porque a lenha utilizada agora no fogão melhorado é muito menos em relação ao fogão tradicional, no fogão tradicional a lenha utilizada para uma semana agora no fogão melhorado é utilizado praticamente durante um mês, porque este fogão é como um forno, quando ficou aquecida mesmo sem lenha consegue cozer a comida”, afirma o responsável pela construção do fogão em Gã-Mamudo.

A secção em causa é um dos que mais sofreu com a corte abusiva e desenfreada de troncos, sobretudo de pão-de-sangue para exportação entre 2012 a 2015, também é da zona em que mais se vende a lenha e o carvão para consumo doméstico no país.

Para o engenheiro florestal, Constantino Correia, a cozinha através do fogão melhorado tem uma mais valia enorme na conservação da floresta e aconselha que a técnica seja expandida em todas as comunidades do país.

“Há significativamente uma grande vantagem na utilização de fogão melhorado, quer em termos da economia de lenha, redução de pressão sobre as florestas, redução de tempo de cozedura da refeição e redução dos efeitos de fumo nos olhos das mulheres, portanto, de imediato são essas as vantagens”.

O que se deve fazer, segundo diz o especialista florestal e várias vezes director-geral das Florestas e Faunas na Guiné-Bissau, “é uma campanha de sensibilização e de demonstração de que realmente fogões melhorado trazem mais vantagem do que eventualmente desvantagem, porque os fogões têm custo de construções e muitas das vezes as pessoas não investem nestes custos de construção, e isso, pode ser um factor a melhorar, por exemplo eventualmente subsídio para construção maciça de fogão melhorado nas comunidades”.

Entretanto, o encarregado do programa da ONG Palmeirinha, Isnaba Posto Mberba, afirma que a iniciativa vai continuar porque é uma das soluções para aliviar a pressão florestal e o esforço físico das mulheres de carregar grandes quantidades de lenha.

“É o nosso objetivo continuar a construir fogão melhorado, porque não podemos retirar as pessoas no corte de certas espécies florestais para utilizar como a energia na preparação das refeições, mas devemos trazer as soluções e, nessa senda, com a construção de fogão melhorado vai ser uma solução para redução da pressão nas nossas florestas e a forma também de reduzir o esforço físico das nossas mulheres”.

A Guiné-Bissau, segundo o último recenseamento geral da população realizado em 2009 e publicada em 2010, 96% das pessoas usam a lenha e carvão como a principal fonte da energia doméstica, ou seja, para cozinhar as refeições.

No entanto, Isnaba Posto Mberba acredita que com estas construções de fogões melhorados a percentagem vai diminuir em comparação ao último recenseamento.

“Pode baixar a percentagem, porque imagina só, já mil fogão construído nos últimos anos, isso vai diminuir bastante a quantidade da lenha que era utilizada para preparação das refeições, se tomarmos em consideração a quantidade da lenha utilizada para a refeições nos quartéis, nas escolas, isso vai reduzir bastante, gostaríamos muito que essa iniciativa pudesse pesar na balança, diminuir este 96 porcento”.

Uma das espécies florestais mais utilizadas agora para a cozinha na Guiné-Bissau são pão-de-sangue, pão-de-conta e mancone - uma das mais emblemáticas espécies florestais também do país.

A organização tem implementada a iniciativa desde os finais dos anos 90 e, nos últimos anos, o Governo através do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, está a financiar a ONG Palmeirinha na construção de fogão melhorado nas regiões de Gabu, Bafatá, Oio e Cacheu - este último para reduzir a pressão de corte de mangal para cozinhar e os três primeiros devido às constantes ameaças da seca provocada pelo desbravamento das florestas.

Esta iniciativa de fogões melhorados é um exemplo inspirador de como soluções inovadoras e sustentáveis ​​podem trazer mudanças positivas para as comunidades. Ao abordar os desafios da desflorestação e da saúde pública, o projeto está a dar os primeiros passos para um futuro melhor para as pessoas da Guiné-Bissau.

A nível dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), a Guiné-Bissau é o segundo mais avançado depois de Moçambique nesta técnica de fogão melhorado.

Reportagem no âmbito do projeto “Terra Africa”, da Agência francesa de Desenvolvimento dos Media – CFI

 

Por: Braima Sigá

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