A Guiné-Bissau comemora, hoje, 24 de Setembro, o dia da independência nacional. Uma guerra pela independência que começou a 23 de janeiro de 1963, com o início das acções de guerrilha no sector de Tite. Hoje, 24 Setembro de 2020, a Guiné-Bissau comemora 47 anos da independência.

Uma guerra que visava expulsar os portugueses, dando aos guineenses uma nacionalidade, um bilhete de identidade, educação, saúde e liberdade.

Guiné foi a primeira colónica do Portugal a ser independente.

O povo guineense recusou, desde cedo, muitas imposições dos colonizadores Portugueses.

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo verde (PAIGC) que começou a guerra, sempre tinha na manga materiais pesados e contava com grande apoio da vizinha República de Conacri, da Cuba e da China.

A Guerra durou 11 anos, a maioria dos guineenses foi mobilizado e entrou para a guerra na idade a flor da pele e foram obrigados a deixar as suas famílias e foram a mata guerrear.

Milhares dos nossos irmãos morreram, milhares tombaram sem ver a luta concluída e a bandeira da Guiné-Bissau erguida.

No caminho ficou Amílcar Cabral, líder dos povos guineense e cabo-verdiano, assassinado antes de ver o seu sonho realizado.

No seu último discurso, dias antes de ser assassinado, em Janeiro de 1973, Amílcar Cabral falou de quais eram os verdadeiros propósitos da luta - 7.00

Portugal, em 1974, reconheceu a independência da Guiné-Bissau. Mas um ano antes, a proclamação unilateral da independência da Guiné-Bissau, a 24 de Setembro de 1973, foi em Lugadjol, nas Colinas de Boé, e reconhecida pela maior parte do mundo e inclusive a ONU. Aquele foi um dos momentos mais importantes para a Guiné-Bissau.

A independência foi proclamada pelo falecido general, João Bernardo Vieira.

Este foi o culminar daquilo que era o programa mínimo da luta pela libertação total da Guiné-Bissau. Depois da proclamação da independência o povo viveu 7 anos de aparente estabilidade e foi também o momento em que o país conheceu o maior avanço do ponto de vista organizativa e Infraestruturas.

Muitos sustentam que a ideia de Cabral não era bem entendida por muitos dos guineenses, e logo chegada a Bissau, o desentendimento começou.

Várias individualidades foram assassinadas e a justiça ainda não é feita. Depois da independência de 1973, o país viu um presidente eleito, Nino Vieira, e um chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Tagme Na Waie, assassinados, em 2009. Até agora, não se conheceu nenhuma sentença.

O país viveu igualmente, vários golpes de Estado e revoltas militares, nomeadamente; Golpe de Estado em 1980, 1998, 2003 e de 2012.

Quando os guineenses saíram da mata, o sonho de Cabral e dos colegas era que cada um assumisse a sua função para que haja unidade nacional, dando oportunidades a quem realmente tem a competência. E este sonho caiu por água-a-baixo.

A este propósito, o primeiro presidente do parlamento e igualmente antigo presidente da república, Nino Vieira, depois de ter regressado do exilo, em 2009, quando dirigia uma mensagem à Nação, dizia ficar satisfeito por ter proclamado a independência.

Um dos combatentes da liberdade da pátria, alguém que por muitos anos viveu com Amílcar Cabral e com ele fez a primeira viagem a China, Dauda Bangura, ouvido pela nossa reportagem, disse que o propósito da luta não está a ser cumprido.

Bangura explica que durante os anos que viveu com Cabral sempre viu nele um espírito de unir os guineenses e na mata era um por todos e todos por um.

Passados 47 anos, para muitos guineenses, os efeitos da luta ainda são sentidos. Ouvidos pela nossa reportagem, Admar Teixeira e Adelino Gomes Obango estes guineenses consideram que as instabilidades vividas no país são derivadas dos homens da luta.

A palavra do apresso foi dirigido aos combatentes da liberdade da pátria por darem as suas vidas pelo bem comum.

A RSM tentou entender o impacto político dos 47 anos da independência nacional, e falou com o politólogo Rui Jorge Semedo.

Rui Jorge Semedo disse que apesar do progresso faltam quase tudo no país.

O sociólogo e historiador guineense do Instituto Nacional dos Estudos e Pesquisas (INEP), Daniel Soares Cassamá, disse que o país não conseguiu desenvolver devido aos sucessivos golpes de Estado destacando em específico o golpe de 1980.

O historiador disse que é importante ensinar a história da Guiné-Bissau às crianças guineenses.

A classe trabalhadora guineense ainda continua em situações precárias e sem salários e condições condignas.

Júlio Mendonça, líder da UNT, disse que os trabalhadores guineenses não têm a razão para festejar a data de independência que se assinala, hoje.

Passados 47 anos, que os guineenses expulsaram os Portugueses, o país envolveu-se em mais uma guerra civil, de 7 de Junho de 1998, cujos reais propósitos ainda não são conhecidos.

Hoje, a Guiné-Bissau comemora 47 anos da independência. Sem escola, estrada, saúde e vida condigna, como almejado pelos combatentes da liberdade da pátria. O sonho continua a ser de ver o país a desenvolver, com o engajamento de todos os guineenses.

A estabilidade politica e desenvolvimento sustentável continue a ser uma ilusão num país onde tudo é prioritário.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá

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