ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL E PARTIDOS POLÍTICOS EXIGEM DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS ELEITORAIS E LIBERTAÇÃO DE DETIDOS
Algumas organizações da sociedade civil e partidos políticos signatários do Pacto Social para o Retorno à Legalidade Constitucional realizaram, esta sexta-feira, uma manifestação pacífica em Safim, nos arredores de Bissau, para exigir a divulgação dos resultados eleitorais e a libertação dos políticos detidos pelos militares.
A ação decorreu longe do controlo direto das forças policiais, que, desde as primeiras horas da manhã, ocuparam as principais artérias da capital para impedir a marcha inicialmente prevista para o centro de Bissau. Apesar do forte dispositivo de segurança, as organizações da sociedade civil, lideradas pelo Movimento Revolucionário Pô de Terra, e os partidos subscritores do pacto conseguiram mobilizar um grupo de cidadãos, incluindo idosos, que aderiram ao protesto.
Em declarações à imprensa, por intermédio de uma cortesia da CFM, o coordenador do movimento cívico Pô de Terra, Vigário Luís Balanta, voltou a exigir a libertação dos detidos e a divulgação dos resultados eleitorais, afirmando que a vontade popular deve ser respeitada.
“Estamos a exigir a liberdade. Queremos que todos os presos políticos e militares, detidos ilegalmente, sejam libertados. Também exigimos o anúncio dos resultados eleitorais, porque o povo já fez a sua escolha e a vontade popular tem que ser respeitada. A CEDEAO está a fazer a sua parte e nós, povo da Guiné-Bissau, temos que fazer a nossa. Caso contrário, amanhã pode ser pior”, alertou.
Em representação dos partidos políticos signatários do Pacto Social, o presidente do partido Nossa Pátria, Mamado Traoré, afirmou que a persistência na realização da manifestação visa honrar a determinação demonstrada pelos eleitores no passado dia 23 de novembro. Para o dirigente, os resultados eleitorais devem ser anunciados sem mais demora e os detidos devem ser libertados.
“Estamos a exigir a libertação imediata dos nossos irmãos presos e a divulgação dos resultados eleitorais. Apelamos aos líderes da CEDEAO, na reunião de domingo (14), para que decidam pela vontade do povo guineense, que votou para conhecer os resultados das urnas, e não resultados fabricados. A bravura do nosso povo tem que ser respeitada”, declarou.
A Guiné-Bissau enfrenta uma nova crise político-militar desde 26 de novembro, quando um grupo de homens armados e encapuzados invadiu e confiscou materiais da Comissão Nacional de Eleições (CNE), na véspera do anúncio dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais. Minutos depois, o presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, foi destituído.
Por: Braima Sigá