SETOR DE BOÉ ESQUECIDO PELAS AUTORIDADES GUINEENSES
Os populares do setor de Boé, leste do país, dizem estar em isolamento porque, desde a independência, não sentem a presença do Estado nem na construção das estradas e nem no acesso aos serviços básicos.
Estas preocupações foram reveladas, hoje, pelo porta-voz dos populares de Boé, Gueladjo Silá, em entrevista à Rádio Sol Mansi (RSM), à margem de uma conferência de imprensa realizada em Bissau, que visa falar da atual situação do setor caracterizada pela falta de infra-estruturas rodoviárias, de saúde e da educação.
“Desde a independência até agora não sentimos alguma intervenção do Estado, são muitas dificuldades que os citadinos locais passam e os governantes sabem disso. Mas, o Boé está no esquecimento total”, sustenta.
Ainda o porta-voz dos populares disse que no setor não existe escola primária e a maioria dos cidadãos não tem Bilhete de Identidade da Guiné-Bissau e “se estamos a falar da inclusão social deve ser a nível do país e não só cidade de Bissau”.
“Boé não tem estradas. Boé não tem projecto de desenvolvimento, mas antes da independência havia escolas porque muitos dirigentes foram formados em Boé, hoje em dia o sector não é visto como um local que contribui para o processo do desenvolvimento da Guiné-Bissau”, lamenta.
Em Boé existe uma associação “Boé Ka Men”, em crioulo significa (Boé terra ku no djunta), criada há 4 anos que visa lutar pelo desenvolvimento local.
Boé é um setor de difícil acesso e no mês passado a RSM este lá numa reportagem e constatou que o centro de saúde do setor funciona a meio gás e recentemente uma ONG construiu escola de raiz que pretende diminuir as dificuldades daquela zona.
Por: Miraide da Silva
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