Morte: IGREJA CATÓLICA DA GUINÉ-BISSAU QUER QUE BISPO DE BAFATÁ SEJA LEMBRADO

 

A Igreja Católica da Guiné-Bissau reage com muita dor a morte do bispo da Diocese de Bafatá, Dom Pedro Zilli, vítima do Coronavírus. Dom Pedro foi testado positivo e há 20 dias estava interno no hospital de Cumura.

Dom Zilli estava recebendo o tratamento da Covid 19, mas apesar de toda a luta acabou por sucumbir a doença. Os restos mortais do saudoso bispo já se encontram na morgue do Hospital Nacional Simão Mendes e a Igreja promete posteriormente anunciar mais detalhes.

Horas depois da sua morte, em entrevista à Rádio Sol Mansi (RSM), o administrador apostólico da diocese de Bissau, Dom José Lampra Cá, disse que Dom Pedro Zilli foi um homem de bom coração e que deixou testemunhos que devem ser seguidos por todos.

Para o pastor da igreja católica a morte não deve ser encarrada como um fim. Ele lembra que quando morre um bispo, a morte é como uma doação, porque “a partir do seu baptismo até a ordenação sacerdotal e o episcopado, ele [Bispo] não é o dono da sua vida”.

“Vamos sentir a sua separação física e vamos chorar como todos, mas, como temos a resposta do Nosso Salvados Jesus que trouxe a ressurreição, então, isso nos consola e nos dá aquele ânimo e estímulo de perpetuarmos no tempo e no espaço aquilo que Dom Pedro fez enquanto vivo”

Continuam a surgir reacções em relação a morte do Bispo Dom Pedro Zilli. Esta noite, em nota de pesar, a presidência da República manifesta a sua solidariedade junto a Igreja Católica “Por esta grande perda”.

O presidente Umaro Sissoco Embaló, em nome do povo guineense, apresenta as sentidas condolências à Igreja e às famílias do Bispo e considerou que o falecido bispo dirigiu-se sempre pela acção em prol da reconciliação nacional entre os guineenses e pelo diálogo inter-religioso que tanto acarinhou.

O presidente da República diz estar convencido de que o saudoso bispo de Bafatá deixa memórias de dedicação e que os guineenses vão saber honrar a sua memória, promovendo e reforçando o seu espírito de diálogo, de reconciliação e de oração para que Deus abençoe a Guiné-Bissau.

No entanto, também em reacção a morte do bispo de Bafatá, em nome da comunidade Islâmica, Ustas Abubacar Djaló, disse que Dom Pedro Zilli é uma referência para muitas pessoas e lembra que o falecido bispo sempre esteve ao lado da comunidade Islâmica através de encontro inter-religioso.

“É uma pessoa que sempre está por perto, quando a união nacional dos Imames realizou uma conferência regional, fomos hospedados pela diocese de Bafatá e recentemente estivemos num encontro em Empada [pertencente a diocese de Bafatá], recebemos esta notícia surpreendente embora todos estamos a espera deste dia”, testemunha Ustas Abubacar.

Também pastor Carlos, em nome da Igreja Evangélica, disse que o bispo lutou muito pela afirmação do Evangelho na Guiné-Bissau e deixa as palavras de condolências à Igreja Católica. Para o Pastor, a morte não é o fim e a luta deve continuar para que todos possam caminhar pelo bem.

“Acompanhava as palavras dele aos Domingos na Rádio Sol Mansi e gostava muito da sua pregação”, disse o pastor da Igreja Católica.

Até a data da sua morte, o bispo de Bafatá era presidente do Conselho de Administração da Rádio Sol Mansi (RSM) e da Cáritas Guiné-Bissau.

Ainda em relação a esta morte do Bispo de Bafatá, Dom Pedro Zilli, o superior do PIME na Guiné-Bissau, padre Davide Sciocco, e o fundador da RSM, disse que o falecido bispo é um modelo da vida missionária.

“Ele foi um grande missionário que deixou o Brasil quando ainda era jovem”, afirma o padre Davide lembrando que o falecido bispo era o superior do PIME que em vida fez grandes obras pela Guiné-Bissau.

Entretanto, nas últimas palavras ao público, quando ainda estava internado no Hospital de Cumura recebendo tratamentos médicos contra a Covid, Dom Pedro Zilli, como sempre, pediu os governantes guineenses para unirem-se no que é importante e essencial para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

“Acompanho a situação do país, aqui internado, mas continuo a rezar pedindo a Deus que os nossos dirigentes se entendam, porque estamos num momento difícil e ainda enfrentamos a pandemia da Covid 19”, disse o Bispo naquela que foi a sua última mensagem aos guineenses.

O bispo tinha pedido oração de todos para que possa se recuperar da infecção do coronavírus.

Dom Pedro Zilli nasceu no dia 7 de Outubro de 1954 e prestou seus votos em 6 de Julho de 1984, recebeu a ordenação sacerdotal em 5 de janeiro de 1985 e logo depois foi enviado para a Guiné-Bissau, tornando-se vigário paroquial na missão de Bafatá.

O bispo Dom Pedro Zilli foi o primeiro bispo da diocese de Bafatá. A Igreja ainda fica por informar a data e os procedimentos do funeral.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos

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