Instabilidade e Fuga de Professores: CONAEGUIB VÊ RISCO DE NOVO ANO LETIVO COMPROMETIDO
A Confederação Nacional das Associações de Estudantes da Guiné-Bissau (CONAEGUIB) alerta que, o presente Ano Letivo corre o risco de enfrentar mais dificuldades, iguais ou ainda mais graves do que as registadas no período anterior, tudo, devido à carência dos professores, conforme anunciado recentemente pelo Ministério da Educação.
O alerta foi feito pelo presidente em exercício da CONAEGUIB, Mohamadu Djamanca, em entrevista à RSM, a propósito das divergências dos números entre os oficiais apresentados pelo Ministério da Educação, e os divulgados pelo Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF), sobre a escassez de números dos docentes no setor.
Segundo Djamanca, não está claro como o governo vai colmatar a falta de mais de três mil professores, num contexto em que o país continua a enfrentar a fuga de profissionais para o exterior.
“Não tenho dúvidas de que vamos enfrentar enormes dificuldades neste presente ano letivo. Imagine só, mais de três mil professores abandonaram as salas de aulas no ano letivo findo, e até à data presente o Governo, através do Ministério da Educação Nacional, ainda não resolveu esta situação. Tudo indica que este novo ano pode ser igual ou até pior”, alertou um responsável da CONAEGUIB.
Durante a cerimônia de abertura oficial do ano letivo 2025/2026, realizada em Bissau, o presidente do SINAPROF, Domingos de Carvalho, recordou que no ano letivo anterior (2024/2025), cerca de 5.494 professores estiveram em falta, desde o pré-escolar até ao 12.º ano, entre os meses de setembro e março. Já o Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica contabilizou 3.663 professores em falta no mesmo período.
Diante dessa discrepância, a CONAEGUIB considera que os dados de ambas as partes devem ser levados em consideração, admitindo que os números apresentados pelo sindicato podem refletir, com maior precisão a realidade vivida nas escolas.
“O mesmo dirigente acrescentou que “o sindicato divulgou os seus dados sobre os docentes em falta, enquanto o Ministério apresentou outros números. Não quer dizer que os dados do Ministério não correspondam à verdade, mas não devemos esquecer que os sindicatos estão mais próximos dos professores. Para nós, os dados apresentados pelo sindicato refletem melhor a realidade vivida nas escolas.”
Mohamadu Djamanca apontou ainda a instabilidade política que o país atravessa, como um dos fatores que agravam a fuga de professores para o exterior.
“Ainda de acordo com a mesma fonte, “a instabilidade política condiciona o desenvolvimento de qualquer país, e este é um dos motivos que leva muitos professores a abandonar o país em busca de melhores condições no exterior.”
Face ao cenário atual, a CONAEGUIB apela ao Ministério da Educação que inicie com a máxima urgência, o processo de recrutamento e colocação de novos docentes, a fim de minimizar os impactos negativos durante o ano letivo em curso.
POLITÓLOGO ACUSA GOVERNO DE NÃO INVESTIR NO SETOR PARA EVITAR A FORMAÇÃO DE CIDADÃOS CONSCIENTES
O politólogo guineense Rui Jorge Semedo afirmou que o governo não tem intenção de investir seriamente no setor da educação, para evitar a formação de cidadãos conscientes e esclarecidos.
O comentador da Rádio Sol Mansi para os assuntos políticos, Rui Jorge Semedo, fez estas declarações neste sábado, durante o programa "Caso de Semana", emitido todos os sábados. Ele referia-se à escassez de professores nas escolas públicas do país.
Segundo Semedo, os políticos estão a explorar o povo guineense, utilizando a política para benefício e enriquecimento pessoal.
Rui Jorge Semedo questionou ainda a qualidade da formação dos professores, em diferentes centros de ensino alertando que, o sistema educativo começou a degradar-se a partir da implementação da democracia no país.
O politólogo alertou também que o período escolar é insuficiente, para permitir que as crianças e os jovens guineenses desenvolvam pensamento crítico e consigam assimilar corretamente as matérias.
De acordo com o governo, o início das aulas está previsto para o próximo dia 15 de setembro, com o encerramento deste mesmo ano letivo marcado para 27 de junho de 2026.
Apesar do anúncio oficial, ainda há muitos desafios por resolver, desde a escassez de professores até aos problemas de infraestruturas nas escolas, bem como próprios edifícios das salas de aulas.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos Camará / Turé da Silva
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