GUINEENSES RECLAMAM DESFECHO URGENTE DO PROCESSO ELEITORAL
Um mês depois da segunda volta das eleições presidenciais, os guineenses ainda continua com ambiente de incerteza sobre o verdadeiro vencedor das presidências e pedem o desfecho final do processo o mais rápido possível.
Esta manhã (29), em entrevista à Radio Sol Mansi (RSM), as vozes ouvidas reclamam a incerteza que o país está a viver sobre o desfecho do processo eleitoral, e pedem que sejam resolvidas com a brevidade possível de forma a tirar o país na situação da incerteza.
“Apelamos para que a justiça faça o seu trabalhão mas com uma brevidade possível, porque o país não pode ficar nesta situação” exorta um cidadão.
“Como cidadão peço aos políticos que deixem este braço de ferro, para que o povo deixe de sofrer como o que está a acontecer agora, porque até agora, mingúem sabe o que vai fazer”, disse uma outra pessoa.
Uma outra entrevistada, disse que os políticos guineenses devem colocar o interesse do povo acima dos pessoais. Esta incerteza afecta o país, até então não sabemos quem é o verdadeiro vencedor, e nós estamos a sofrer com isso”, lamenta uma outra pessoa.
“Eu quando fui à urna não esperava este impasse, pensava que o país ia conhecer um novo rumo com o presidente eleito, mas, infelizmente atá agora estamos no empasse”, reclamam.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) divulgou em 1 de Janeiro os resultados provisórios das eleições presidências, sem, segundo o Supremo Tribunal de Justiça, ter terminado o apuramento nacional.
Entretanto, na sequência de um contencioso eleitoral, apresentado pelo candidato Domingos Simões Pereira, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) já tinha emitido um acórdão a pedir o cumprimento do artigo 95º da Lei eleitoral, tendo mais tarde, numa aclaração, insistido na necessidade de realizar o apuramento nacional
A CNE, por seu lado, diz que cumpriu o processo com a divulgação dos resultados definitivos que dão vitoria ao Umaro Sissoco Embalo.
Perante este impasse entre as duas instituições (CNE e o STJ), sobre o desfecho do processo eleitoral, o politólogo Rui Jorge Semedo, comentador permanente da RSM, considera de imprevisível o risco do país nos próximos tempos caso continuasse o imbróglio político institucional.
“É um risco imprevisível, e no fundo não será bom contudo estamos a ver que não é bom, porque temos um país que não tem um sector privado próprio, um país sem a capacidade de produzir internamente para atender demanda da sociedade e de contribuir no aumento do seu Produto Interno Bruto (PIB), outro risco é que podemos ter a intervenção dos outros atores que não faz parte do jogo democrático nesta disputa, vemos recentemente a declaração do Chefe do Estado-maior das Forças Armadas, então numa disputa eleitoral puramente democrática, quando vimos a intervenção deste género de mais alto figura militar, todo devem preocupar de que a situação não é favorável e depois o posicionamento de uma parte da comunidade internacional (CEDEAO e a UA), pode reforçar mesmo se depois foi confirmado de que na verdade houve algum erro no processo certamente que o candidato anunciado como vencedor pela CNE não vai aceitar os resultado e a situação vai piorar ainda mais”, explica.
Rui Jorge atribui a responsabilidade a CNE sendo a única entidade neste momento que deve ter a clareza no que está a fazer.
“Ela é a única entidade que faz o apuramento nacional não os partidos políticos nem o STJ, então se o Supremo lhe diz para fazer o apuramento nacional que faça e quando faz, se for reconfirmando no que ele diz, sairá reforçado no profissionalismo que assumiu o processo e o próprio candidato que ele indicou como vencedor sairá reforçado porque ninguém vai questionar a sua eleição”, aconselha.
Segunda volta das eleições presidências realizado no passado 29 de dezembro foi disputada entre os dois antigos primeiros-ministros; Domingos Simões Pereira, suportado pelo PAIGC «no poder» e Umaro Sissoco Embalo, suportado pelo MADEM G-15 «líder da oposição»
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá
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