“GUINÉ-BISSAU VAI CRESCER ESTE ANO EM TORNO DE 4,3% DO PIB”, diz economista guineense
O economista Dayvikson Tavares disse hoje (5/12) que no cenário pessimista a Guiné-Bissau vai crescer este ano em torno de 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB), contrariamente a última previsão feita pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial que antecipavam um crescimento de 5,5% do BIP.
Esta manhã em entrevista aos jornalistas a margem da conferência académica e científica sobre gestão financeira e a relação entre Fundo Monetária Internacional (FMI) e a Guiné-Bissau, Dayvikson Tavares que é também director do curso da Economia, justifica a ideia com a realização das eleições legislativas e presidenciais.
“Eu creio que esta taxa é muito optimista, a Guiné-Bissau não vai atingir 5,5% no final deste ano. No nosso cenário pessimista, acreditamos que o país vai crescer em torno de 4,3 salvo erro, porque não tenho aqui o documento que nós produzimos”, diz para depois realçar que “ quando fizemos um exercício optimista atingimos esta taxa, mas, na verdade não é isso que está a acontecer, o cenário de base não acabou por acontecer, o cenário optimista muito menos e estamos a ver que, o que vai acontecer é o cenário pessimista. Passamos um ano completo nas corridas das eleições [legislativas e presidências] que acabou por paralisar em boa parte da administração pública e isso afecta drasticamente e sabemos muito bem que a economia da Guiné-Bissau depende muito da dinâmica da administração pública porque o sector privado é muito fraco”.
Confrontado com a questão de corrupção que precisa ser tratado para permitir que o país realize o seu potencial económico e melhorar os padrões de vida da população, Dayvikson Tavares, disse que “ a corrupção em qualquer parte do mundo afecta, significativamente, porque quando temos dinheiro público e não está a ser canalizado para o sector chave, acaba por afectar a dinâmica da economia, então em qualquer parte do mundo a corrupção afecta e creio que a Guiné-Bissau não foge a esta realidade”.
O relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) sobre as economias africanas, que inclui uma parte especificamente sobre a Guiné-Bissau, alerta para os perigos da forte exposição dos bancos à divida publica guineense, com a dívida interna a representar quase 40% do PIB.
“As melhorias na gestão pública financeira são essenciais para evitar que o sector privado seja afastado dos investimentos pela presença do Estado na economia”, diz o BAD, alinhando com Fundo Monetário Internacional na necessidade de conferir mais qualidade à gestão pública.
A Guiné-Bissau enfrenta problemas profundamente enraizados de fraca governação e corrupção que precisam de ser tratados para permitir que realize o seu potencial económico e melhore os padrões de vida da população, referiu num comunicado, Concha Verdugo-Yepes, que liderou uma equipa do FMI que esteve em Bissau nos finais de Setembro e princípio de outubro para fazer uma avaliação às vulnerabilidade da governação no país.
Nas últimas previsões sobre a evolução da economia, divulgadas durante os encontros anuais do FMI e do BM, em outubro, estes analistas antecipavam um crescimento do PIB da Guiné-Bissau de 5,5% para este ano e 4,9 em 2020, com a dívida pública a manter-se ligeiramente abaixo dos 70%, ainda assim acima da média regional de 50%.
Por: Braima Sigá
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