Caso Aly Silva: SOCIEDADE CIVIL EXIGE DEMISSÃO DO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

As organizações da sociedade civil membros do Espaço de Concertação Social condenam com veemência o acto de rapto de espancamento do cidadão em causa e, no entanto, exige a demissão do Procurador-Geral da República

A reacção vem expressa em comunicado que a Rádio Sol Mansi (RSM) tem acesso. O grupo insta o presidente da República em garantir a paz, segurança e unidade nacional. Igualmente, o colectivo exige a responsabilização e a exoneração dos titulares da pasta do Ministério do Interior e da Ordem Pública por falta de capacidade de garantir a segurança dos cidadãos guineenses, por falta de cumprimento sistemático das suas responsabilidades governativas, podendo essa postura perigar a segurança pública.

Uma das exigências das organizações membros do Espaço de Concertação Social da sociedade civil é a demissão do Procurador-Geral da República pela consequente inacção e a incapacidade de produzir acções que contribuam para o primado da lei em benefício da impunidade.

O alerta é estendido a comunidade internacional pela situação periclitante que o país vive nos últimos tempos com cíclicas violações dos Direitos Humanos, nomeadamente, o rapto e o espancamento dos cidadãos guineenses, num ambiente de terror e de impunidade.

Aos deputados da nação, a sociedade civil pedem a promoção do debate sobre a segurança pública. O apelo é extensivo às instituições Públicas com vista a um rápido apuramento das circunstâncias em que ocorreram o espancamento do Bloguista e outros similares que ainda estão por apurar, de modo a responsabilizar os actores material e moral deste acto macabro.

Em caso do não cumprimento destas exigências, as organizações da sociedade civil ameaçam recorrer a outros mecanismos para salvaguardar a dignidade da pessoa humana e justiça social na Guiné-Bissau.

Também, em comunicado separado nas primeiras horas do acontecido, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) regista “com bastante preocupação” o espancamento e abandono numa das artérias de Bissau do jornalista e Editor do Blogue Ditadura do Consenso, António Aly Silva.

“A Guiné-Bissau é um Estado de Direito Democrático onde a liberdade de expressão e de informação constitui a trave mestra, sendo que qualquer delito resultante do exercício desse direito fundamental deve ser processado nos termos das leis vigentes no país”, lê-se ainda no mesmo comunicado da LGDH.

A Liga, no mesmo documento, condena com firmeza este acto “criminoso” e exige das autoridades nacionais a abertura de um inquérito urgente com vista a identificação e tradução à justiça dos autores deste acto hediondo.

Entretanto, a 2ª vice-presidente do PAIGC, Maria Odete Semedo, condenou o acto acrescentando que não há consequências pelos actos bárbaros que se está a assistir no país.

“Nós negamos isto veementemente e reprovamos esta forma violenta que estes poderosos ilegais entendem que devem fazer da nossa vida. É inconcebível o que se passa na Guiné-Bissau”, sustenta Odete Semedo que denuncia violências verbais e físicas.

Odete Semedo disse que “estão a intimidar as pessoas e querem nos amordaçar e não querem que ninguém fale”.

No entanto, Aly Silva, vítima do espancamento, explicou que foi interpelado no espaço ao largo da EAGB quando saía do almoço e foi levado nas zonas de alto-Bandim.

“Foi interpelado e 4 pessoas saíram da viatura com Kalashnikov. (…) Vendaram os meus olhos e fizeram várias ameaças de mortes deram-me muitas coronhadas. Depois fui resgatado por um grupo de pessoas”, explica Aly Silva que denuncia várias ameaças de morte por parte do presidente da República.

Apesar de todo o espancamento, Aly Silva reafirmou a sua determinação em continuar com o seu trabalho.

“Vou parar só depois da minha morte ou quando eu querer. Tomaram a minha carteira de 200 mil francos cfa, levaram o meu telemóvel e a minha carta de condução. Estou sentido muita dor na cabeça, mas vou recuperar e retomar o meu trabalho pelo bem do povo guineense”, sustenta.

Para Aly Silva garante que os implicados não estavam uniformizados e, no entanto, classifica o acto de vergonhoso e covarde.

Entretanto, no final da tarde de ontem (09), através de uma mensagem no WhatsApp, o gabinete da comunicação do Ministério do Interior disse que as investigações estão em curso e visam apurar a responsabilidade dos implicados no acto, o ministério promete falar do assunto assim que terminarem os trabalhos.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos

 

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